terça-feira, 10 de março de 2009

TALENTO NA CONSERVAÇÃO DA ESCAIOLA



Ela imita o mármore. Apenas com a pintura produz efeito que evoca o encaixe das pedras. Em alguns casos, conforme o desenho e movimento no acabamento, também insinua a madeira como revestimento. Trata-se da "escaiola", que se difundiu em Pelotas ao final do século dezenove, chegando até os anos sessenta do século vinte. A técnica tem como base o "marmorino" – massa – que é base à pintura, seguida pela veladura que fixa a arte. A pintura cabia aos artífices – o saber era transmitido através de gerações, e algumas famílias se notabilizaram no trabalho –, que foram desaparecendo já que a técnica foi se tornando obsoleta. Na cidade, no entanto, através de estímulos como o Projeto Monumenta, tem ocorrido resgate da habilidade. E já há artífices de uma nova geração. Um talento que se sobressai é Fábio Galli, artífice restaurador que até início de fevereiro, dedicava-se à manutenção dos revestimentos que valorizam o prédio do Instituto João Simões Lopes Neto – rua D. Pedro II nº 810.





MANUTENÇÃO – Escaiolas do Instituto foram feitas por José Moreira dos Santos em 1907. Durante as décadas do século passado, porém, o revestimento foi agredido por camadas de tinta, pregos e cola. Em 2005, Galli empenhou-se pela restauração. Em menos de três meses, ele resgatou o trabalho original. Sua habilidade decorre da formação com diferentes etapas. Técnico em química, participou de cursos oferecidos pelo Instituto Ítalo-Americano, em parceria com o então CEFET/RS e Prefeitura. Como as escaiolas necessitam de manutenção, ao final de janeiro ele retornou para novo trabalho no Instituto. Em duas semanas, acompanhado pelo aprendiz André Valeirão, eles transformaram o ambiente. Houve a movimentação de andaimes, e até foi improvisada uma bancada com líquidos e equipamentos. Para a limpeza, extraindo principalmente a fuligem, sutileza e paciência, pois o trabalho é minucioso, feito com algodão e água destilada, também cera de abelha e essência de Terebentina. Conforme Galli, trata-se de "manutenção conservativa", apropriada aos estilos geometrizado e artístico presentes no Instituto. Numa das peças do prédio, onde não foi possível o resgate completo, está uma "janela didática". Trata-se de fragmento do revestimento original, que educa acerca da necessidade de conservação da técnica.

OFICINA – Dias 3 e 4 de março, o artífice restaurador, que está cursando Tecnologia em Conservação e Restauro na UFPel, estará ministrando oficina no Instituto João Simões Lopes Neto. Ele divulga que podem se inscrever desde pedreiros até acadêmicos, pois serão compartilhas informações acerca da técnica da escaiola. Informações no Instituto: 3027.1865. Contato com o artífice: (53) 9981.2966. E-mail: fabiogallirestauro@uol.com.br


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