domingo, 27 de abril de 2014

A Produção do Charque em Pelotas no Séc. XIX







Este texto foi publicado pelo inglês Nicolaus Dreys no ano de 1839 no livro Noticia Descritiva do Rio Grande, tentando descrever essa "novidade" que era a forma de produção do charque no sitio charqueador pelotense...
Cruzei ele com a gravura e de J. B. Debret de 1827 "Charqueada em Pelotas", usei também um desenho de Pedro Marasco para o storyboard do filme Concerto Campestre, a aquarela do alemão Wendroth de 1857 intitulada "Dança de Negros em Pelotas" eo desenho de Carybé "Ala de Oxalá". Afim de tentar visualizar esse engenhoso processo de produção que mudou a história e o destino de tantos... E fundou duas cidades... Pelotas RS Aracati CE

A Influência da Cultura Africana na Formação do RS


sábado, 26 de abril de 2014

F de Fujão

Esse “F” de fujão está em nossa alma, está em nossas raízes...
Era assim que marcavam negros na época da escravidão para que todos soubessem que esse negro era um problema.
Hoje esse “F” é nossa resistência é nossa luta diária
De quem Reconstrói a sua negritude e luta realmente para ser livre ou liberto de qualquer situação, prisão, descriminação...
Enfrentando a complexidade de ser negro no tempo atual.
Tenho esse “F” hoje mais como Força como estranha forma de liberdade que se impõe que não aceita a hipocrisia instaurada há muitos anos pela nossa sociedade e seus padrões esbranquiçados da nossa história mal contada em seus livros escolares.
Tenho esse “F” marcado na testa para que todos vejam que eu não me entrego que não sou mais um na boiada, pois faço a diferença, que não serei subjugada por valores onde o racismo ainda impera com sua máscara dizendo: Que hoje sofremos menos preconceito do que antes.

Tenho esse “F” marcado nas minhas costas que vai ao encontro com as minhas origens e que mesmo com tantas barbarias não nos silenciaram.

Texto Fabiana Lara dos Santos
Foto Giovane Lessa

domingo, 25 de outubro de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

13 DE MAIO...

Vovó não quer Casca de coco no terreiro...
Pra não lembrar dos tempos do cativeiro...


video

terça-feira, 10 de março de 2009

TALENTO NA CONSERVAÇÃO DA ESCAIOLA



Ela imita o mármore. Apenas com a pintura produz efeito que evoca o encaixe das pedras. Em alguns casos, conforme o desenho e movimento no acabamento, também insinua a madeira como revestimento. Trata-se da "escaiola", que se difundiu em Pelotas ao final do século dezenove, chegando até os anos sessenta do século vinte. A técnica tem como base o "marmorino" – massa – que é base à pintura, seguida pela veladura que fixa a arte. A pintura cabia aos artífices – o saber era transmitido através de gerações, e algumas famílias se notabilizaram no trabalho –, que foram desaparecendo já que a técnica foi se tornando obsoleta. Na cidade, no entanto, através de estímulos como o Projeto Monumenta, tem ocorrido resgate da habilidade. E já há artífices de uma nova geração. Um talento que se sobressai é Fábio Galli, artífice restaurador que até início de fevereiro, dedicava-se à manutenção dos revestimentos que valorizam o prédio do Instituto João Simões Lopes Neto – rua D. Pedro II nº 810.





MANUTENÇÃO – Escaiolas do Instituto foram feitas por José Moreira dos Santos em 1907. Durante as décadas do século passado, porém, o revestimento foi agredido por camadas de tinta, pregos e cola. Em 2005, Galli empenhou-se pela restauração. Em menos de três meses, ele resgatou o trabalho original. Sua habilidade decorre da formação com diferentes etapas. Técnico em química, participou de cursos oferecidos pelo Instituto Ítalo-Americano, em parceria com o então CEFET/RS e Prefeitura. Como as escaiolas necessitam de manutenção, ao final de janeiro ele retornou para novo trabalho no Instituto. Em duas semanas, acompanhado pelo aprendiz André Valeirão, eles transformaram o ambiente. Houve a movimentação de andaimes, e até foi improvisada uma bancada com líquidos e equipamentos. Para a limpeza, extraindo principalmente a fuligem, sutileza e paciência, pois o trabalho é minucioso, feito com algodão e água destilada, também cera de abelha e essência de Terebentina. Conforme Galli, trata-se de "manutenção conservativa", apropriada aos estilos geometrizado e artístico presentes no Instituto. Numa das peças do prédio, onde não foi possível o resgate completo, está uma "janela didática". Trata-se de fragmento do revestimento original, que educa acerca da necessidade de conservação da técnica.

OFICINA – Dias 3 e 4 de março, o artífice restaurador, que está cursando Tecnologia em Conservação e Restauro na UFPel, estará ministrando oficina no Instituto João Simões Lopes Neto. Ele divulga que podem se inscrever desde pedreiros até acadêmicos, pois serão compartilhas informações acerca da técnica da escaiola. Informações no Instituto: 3027.1865. Contato com o artífice: (53) 9981.2966. E-mail: fabiogallirestauro@uol.com.br


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

TEMPLO DAS AGUAS...

Marco Gottinari, Marta Gottinari, Sara Gottinari

Acordar
Marco Gottinari

Quando embarco nos meus sonhos
A lugares impossíveis.
Atravesso oceanos
Crio asas vôo longe
Se o amor é imprevisível
Se a distância está marcada
Mudo o curso da jornada
Sigo rios e caminhos
Pinto estrelas no espaço
Embalo sonhos de menino
Pulo em cauda de cometa
Pouso em nuvem passageira
Abro livro do destino
Se a distância está exata
Mudo curso da jornada
Num vôo de passarinho

Vêm que eu preciso acordar agora
Pra ficar contigo,
Vêm que eu preciso acordar
Se não fosse o bastante essa beleza toda... as picinas, turbilhões, duchas de agua mineral... trilhas, portais... Ainda há o previlégio de ser recebidos por uma musa e seu poeta... e das mãos deles ser alimentados...
Como Chegar lá??
È simples.. Colônia Maciel... é só seguir as placas... está bem sinalizado...
Para quem quizer ir de ônibus...

Local de saída do ônibus: Deodoro com Neto.
Empresa São Jorge. Colônia Maciel
Horários de ônibus Pelotas para Colônia São Manoel
Segunda à Sexta Sábados Domingos e Feriados
7:15 9: 50 9:00
9:50 12:15 12:00
12:15 15:30 18:30
15:30 18:30 19:30
16:45
18:30

Retorno para a cidade:
7:45
11:45
13:50
17:05

Serviços

- Cachoeiras
- Trilhas opcionais
- Piscina de pedra com água natural
*não trabalham com camping

Diária – R$ 5,00 com suco.
Almoço – R$ 10,00 por agendamento
Café – R$ 10,00 por agendamento
Visitação – R$ 3,00 com suco
*O Suco de amoras plantadas e colhidas por eles, é mais uma das grandes surpresas que os Gottinarri nos reservão...
*Telefone p/agendamento (53)3224 60 14
*Email : saarah.gottinari@bol.com.br

sábado, 10 de janeiro de 2009

RIO DE SANGUE Parte I: O Começo

No começo eram sós os índios, como em todo o continente americano, os Tupis-Guaranis que englobavam os Tapes, Carijós, Caaguas, Guaianás, Aranchanes, Gês, Coroados, e os Guaicurus dos quais faziam Parte os Jaros, Guenos, Charruas e Minuanos. Os Tupis-Guaranis já dominavam o cultivo da terra, instalando suas aldeias nos lugares mais férteis, os Guaicurus viviam da caça e da pesca.
Até chegarem os grandes navegadores. Portugueses e espanhóis dominaram o continente do norte para o sul, tomando tudo o que viam pela frente como seu. Portugueses pelo leste, espanhóis pelo oeste em disputas fronteiriças entre si, mas sem duvidar nunca que eram os donos de tudo. Quando o território começou a afunilar essas disputas se tornaram mais acirradas, até o inevitável encontro.
A terra encontrou o mar, portugueses e espanhóis disputavam o mesmo pedaço.
A Província de São Pedro do Rio grande do sul só teve sua posse e fronteiras definidas no ano de 1777, das missões Jesuítas até o oceano Atlântico era território português. Já havia nessa época um pequeno núcleo urbano em função do forte militar Jesus Maria Jose e do Porto que se localizava no único ponto do litoral em que a presença das lagoas não impedia o cesso direto ao continente. Foi nessa província ainda sem nenhuma atividade econômica relevante, que no ano de 1779 desembarcou um português vindo da Província do ceara na companhia de alguns negros, e a idéia de produzir carne salgada. Como o processo exigia a secagem da carne em varais, as praias de areia fina do Rio Grande não foram adequadas. E foi à procura do lugar ideal que esses homens chegaram às margens do arroio Pelotas em 1780.
Com uma mistura de tecnologia obtida das culturas indígenas e africanas o português criou a industrialização de um produto que encontrou mercado no pais inteiro e logo em outros paises, chegando a ser a 5ª economia do Brasil. Como esse processo de industrialização dependia não só da mão de obra, mas principalmente do conhecimento dos africanos, esses firam trazidos em massa, nas piores condições possíveis. Chegaram a representar 60% da população o que deixa bastante clara a sua importância na construção desta economia. A estação de matança ocorria nos meses que havia sol para secagem ou seja de novembro à maio, no restante do ano o contingente africano era transferido para as olarias. Um séc. inteiro produzindo charque, dormindo em senzalas úmidas, agüentando o frio, as doenças, e o "mal do sal" rachando seus pés.

Um séc. amassando barro, fazendo telhas, falquejando madeira, entalhando pedras, dando forma a uma arquitetura opulenta que nascia da riqueza do charque. Construindo o cenário perfeito para uma historias de barões, generais, guerras, saraus, teatro, musica, requinte e sotaque francês. Enquanto os salões adquiriam fama nacional, nas cozinhas estavam habeis criaturas cuja cultura milenar ritualizava o preparo de iguarias, que tornaram memoráveis as mesas deste lugar.
Todo o luxo e refinamento que o dinheiro do charque, a habilidade dos africanos, e a terra dos índios lhes permitiu. Uma grande historia, um grande momento, os navios saiam carregados de charque todos os dias abastecendo armazéns pelo mundo a fora, o charque era a gasolina do mundo escravista, já que o trabalho escravo era a força motriz do séc. XIX, esta carne era a única proteína que mantinha forte o plantel africano, que na condição de escravos, construía o "novo mundo" e dava manutenção ao "velho".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

RIO de SANGUE Parte II: O processo de produção

Essa movimentação atraiu pra cá toda tipo de gente, aventureiros, intelectuais, religiosos, cientistas, artistas, bandoleiros , fugitivos da lei, aristocratas...

Muitos de passagem deixaram seus relatos, escritos, imagens desenhadas, entre eles o desenhista francês Jean Batist Debret que imortalizou os dois tipos de abates, ficando clara a superioridade tecnológica do núcleo charqueador pelotense.
O inglês Nicolau Dreys na obra Notícia Descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro de 1839 detalha esse processo de forma minuciosa.

"O modo de matar gado, primeira operação da charqueada, deve naturalmente influir sobre o asseio do estabelecimento,e infelizmente esse modo não é uniforme em todas as partes, nem igualmente aperfeiçoado; difere segundo as províncias e até, em certos lugares, segundo as charqueadas; na campanha de Montevidéu, e mesmo nas charqueadas limítrofes da Província do Rio Grande, os peões montam a cavalo; um deles estimula o animal recolhido num curral aberto agitando ante seus olhos um ponche colorado, e quando o novilho exasperado lança-se afinal sobre o agressor e entra a persegui-lo, outro peão armado de uma lança comprida cujo ferro tem feitio de meia lua, corre atrás do boi e corta-lhe o jarrete, abandonando-o logo que cai para ir atrás de outro boi preliminarmente excitado pelos mesmos meios; entretanto, um camarada ou u negro toma conta do animal e sangra-o; esse método não é sem perigo, mas por isso mesmo agrada aos hábitos aventurosos dos gaúchos [...] Porem homens tão esclarecidos com são em geral os charqueadores do Rio Grande* não podiam deixar de chamar a indústria em auxílio de seus trabalhos, tanto para economizarem os braços como para minorarem, quanto possível , não só o perigo como também as repugnâncias inseparáveis do ato e da conseqüência da matança; hoje em dia, nas charqueadas as mais bem organizadas, matam-se os bois por um método mais expedito, mais seguro e menos cruel. O gado fechado no curral é impelido na direção de dois corredores, separados um do outro por uma espécie de esplanada levantada a sete ou oito palmos do solo; um peão em cima dela, lança no boi um laço cuja extremidade esta atada , fora do recinto, num cabrestante posto em movimento por um ferralho (trinqueta), manejada por dois negros: quando o boi, puxado pelo laço, chega a encontrar-se com a cerca contra a qual a cabeça se acha comprimida, uma pessoa, que o espera exteriormente, introduz-lhe a ponta da faca nas primeiras clavículas cerebrais, donde resulta ficar espontaneamente privado de movimento; nesse estado, um guindaste, rodando sobre o eixo, eleva o animal asfixiado para fora do curral por cima do cercado e o transporta para debaixo do telheiro, sobre um lajedo disposto em segmento de esfera, onde se sangra, sem que graças a disposição bem entendida do lugar, a operação deixe depois vestígios nenhum. Retalhado o boi, levam-se as mantas (assim se chama as partes musculares) para o salgueiro, e não há nada mais fresco e menos enojoso que o salgadeiro: vasto alpendre guarnecido de todos os lados, até mesmo no chão, de folhas de butiá que escondem o hediondo da morte debaixo de um véu de verdura e não revela ao olfato nenhum átomo de mefitismo. Depois de salgada, a carne a carne empilha-se ali mesmo pra se lhe extrair a umidade, a qual corre com sal derretido e supérfluo num reservatório inferior, onde se lança subseqüentemente as costelas, as línguas e outras partes que se quer conservar na salmoura. Esgotada que seja, a carne é levada do salgadeiro para os varais: assim é denominada uma grande extensão de terreno plantado de espeques arruados, de quatro a cinco palmos de altura,atravessados por varas compridas em que se suspendem as mantas para secarem pela ação do sol e dos ventos; quando se receia alguma chuva repentina, o toque de um sino chama, para os varais, todos os negros da charqueada, e coisa curiosa é ver como num instante a carne amontoada por porções nos mesmos varais se acha escondida debaixo dos couros que não permitem o menor acesso às águas do céu. Estando a carne perfeitamente seca, é disposta em forma de grandes cubos oblongos assentado num chão artificial, levantado de três a quatro palmos, para dar passagem ao ar; nesse estado cobrem-se ainda de couros para esperar o embarque. [...] È uma ocupação regular distribuída segundo as forças de cada negro, no desempenho da qual o negro entra com tanto mais vontade que não se pode dissimular que alguma coisa tem de conforme o trabalho com suas inclinações.
Gravura Danubio Gonçalves
Na estação da matança, isto é, de novembro ate maio, o trabalho das charqueadas principia ordinariamente à meia-noite, mas acaba ao meio-dia, e tão pouco cansados ficam os negros que não é raridade vê-los consagrar a seus batuques as horas de repouso que decorrem desde o fim do dia até o instante da noite em que a voz do capataz se faz ouvir." [ps.202-205]
Gravura Caribé

Essa ordem tão surpreendentemente instalada, exigia tecnologia, conhecimento, preparo, treinamento. Seria um absurdo pensar que um ritual religioso milenar praticado pelos africanos, estava na base desta revolução tecnológica? Seria um absurdo pensar que a presença de um povo que a milhares de anos realiza matanças sagradas observando primícias, como não pisotear sangue, despacha-lo em água corrente, não destratar viceras, colocar os animais em quarentena antes do sacrifício, matar sem que o animal entre em sofrimento,matar sempre de hora grande a hora grande, (ou seja da meia-noite ao meio-dia), consagrar os sacrifícios aos Deuses no tambor, estivesse por trás disso? Como se explica que um processo de matança primitivo com características de caçada indígena, repentinamente se transformasse num processo industrial tão bem organizado, fazendo o núcleo charqueador pelotense despontar como a 5ª economia do pais. Jose Pinto Martins que leva a fama de ter fundado esse núcleo charqueador com todas as suas evoluções tecnológicas, vem do Ceara na companhia de negros, viveu , constituiu família e como mostra seu testamento, todos aqueles que lhe são caras ao afeto eram africanos. Isso lhe rendeu inúmeros ataques; "hedionda mistura de raças que gera degradação universal" com o acuso publicamente Gonçalves Chaves. Mesmo assim fez de seu filho João que teve com a negra "crioula forra" Francisca se principal herdeiro, sem esquecer de deixar testado os departamentos importantes de sua charqueada para os respectivos mestres que o instalaram. Africanos e portugueses uma mistura de técnicas e conhecimentos que criaram um verdadeiro milagre econômico que assombrou o mundo.
Mas o medo, a arrogância e a ganância fizeram deste relacionamento uma pagina difícil de ser lembrada...
"Uma charqueada bem administrada é uma penitenciaria"
Nicolau Dreys

RIO de SANGUE Parte III: Revolução

Os negócios prosperarão, ao cabo de algumas décadas eram mais de trinta charqueadas movimentando somas consideráveis. Formando uma sólida economia que fazia a classe dos charqueadores homens poderosos. Sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais começam a ter idéias políticas dissidentes. Impostos considerados excessivos criavam revolta, as negociações com o governo imperial eram insatisfatórias, o estado de tensão cresceu até o rompimento e declaração de guerra em 20 de setembro de 1835.
Para declarar guerra ao império, os revoltosos formaram um exercito juntando tropas de generais do exercito que aderiram a causa, formam assim o "exercito farroupilha", liderados pelo Gen. Bento Gonçalves, lutam por um país independente.
Entre esses generais está Antônio de Souza Netto abolicionista convicto, não só coloca a libertação dos africanos como um dos "ideais farroupilha", como sugeriu que esses lutassem ao seu lado. A sugestão não é aceita no primeiro momento, mas Netto deixa a cargo do Cel. Teixeira Nunes a formação do 1° batalhão de Lanceiros Negros, caso a necessidade mudasse a idéia dos demais generais. E foi no dia 4 de outubro de 1836 depois da "Derrota de Fanfa" em que em que o exercito farroupilha teve varias baixas incluindo a prisão de Bento Gonçalves, que os Lanceiros Negros entraram definitivamente no combate estendendo a guerra por mais nove anos.
A participação decisiva dos Lanceiros como ressalta Garibaldi em sua biografia escrita por Alexandre Dumas fala em "soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo".
Lutavam por liberdade, não por divisas e impostos, e no dia 14 novembro de 1844 foram traídos no mais lamentável episódio desta guerra conhecido como "O Massacre de Porongos".
1100 guerreiros negros foram desarmados e deixados no Cerro dos Porôngos para uma emboscada previamente acertada com o Exercito Imperial. Conforme o combinado a chacina poupou apenas os brancos e índios, pois essa gente ainda poderia ser útil.
Livres da questão abolicionista finalmente os "Farrapos" poderam assinar a PAZ chegado a um acordo econômico conveniente.



"Eram desgraçados, sim, eram pobres, eram maltrapilhos, aqueles guerreiros que, para não morrer de fome, contentavam-se com um bocado de carne crua; acampavam e dormiam ao relento, com a face voltada para as estrelas; não tinham dinheiro, nem uniforme, e não podiam renovar as botas e os 'ponches' que o pó da estrada, as balas, as cutiladas, as chuvas estraçalhavam e apodreciam; [...] prezavam seu nome de Farrapos, e tinham orgulho de sua pobreza: [...] eram mais ricos assim, possuindo apenas o seu cavalo, a sua garrucha, a sua lança e a sua bravura [...]."
Olavo Bilac


” Este corpo de lanceiros na sua maioria de negros libertos pela república, e escolhidos entre os melhores domadores de cavalos da província, tinha unicamente os oficiais superiores brancos...(...)...As suas lanças que eram maiores do que de ordinário, os seus rostos pretos como azeviche, os seus robustos membros e a sua perfeita disciplina, tornava-os o terror dos inimigos”
GARIBALDI

RIO de SANGUE Parte IV: Opulência Abolição Queda

Assim à sombra das charqueadas, as margens de um rio de sangue cresceu a cidade de Pelotas...
Com o termino da guerra os negócios prosperaram, o charque criava em torno de si um mundo de luxo e riqueza.
Da sangrenta lida brotavam belos casarões, os primeiros charqueadores podiam agora financiar educação, polidez e fidalguia aos seus descendentes...

Os navios não param, cargas e descargas levam o charque e trazem mercadorias... Os navios vindos da França são os mais esperados...

Mobiliário, porcelanas, cristais, os mais belos trajes na ultima moda da corte, revistas, partituras, obras de arte, os filhos da terra que completaram seus estudos em Paris.
Nobres e abastados os charqueadores se transformaram em "Barões", a fama do "Refinamento Pelotense" correu os salões até chegar na corte, no apogeu do charque recebe a visita da família Imperial.... Recebe da proria Isabel o titulo de Princesa do Sul...
O milagre ecomomico parecia tão solido que não havia com que se preocupar.
As senzalas continuavam cheias de um povo que conseguia dar conta daquela lida do charque e manter impecáveis os salões...

Mas veio abolição... e veio sem aviso prévio...
sem fundo de garantia... sem ter para onde ir...
Mais alguns anos e o Banco fundado com o dinheiro do charque quebrou...Boa parte das charqueadas foram demolidas, como se delas partisse uma maldição que gerou a queda...
Do rolo que o tempo, a necessidade, ambição e a cobiça fizeram saímos nós, sem tirar nem por...
Quais são as harmonias possíveis para uma historia tão sangrenta? Da habilidade em responder essa pergunta, depende nosso futuro. Referencia cultural ou convulsão social?


Se um viajante voltar daqui a um século vera nas paredes a mesma alvura, é matéria que o tempo não rói...

Nicolaus Dreys

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de NOVEMBRO





Posted by PicasaCantar Charqueada


Até eu cantei charqueada
chorando a sorte do boi.

Mas descobri que meu canto

tem raízes noutro campo:
por trás das cancelas mudas,
por trás das facas agudas.


Meu canto é uma carne escura
charqueada a relho na nalga;
é figura seminua
junto às gamelas de salga.

Carne escura exposta ao vento
dos varais do saladeiro
exposta viva ao sol quente
e suas facas carneadeiras.

Carne que se compra e vende
e de bem longe se importa
se salga, seca e só perde
quando já é carne morta.


E meu canto é dessa carne
que não é minha e me dói
sangrando no sol da tarde
de um tempo que enfim se foi.



Cabe a mim cantar charqueada
chorando a sorte do boi?





Oliveira Silveira


Que bloco é esse?

Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Que bloco é esse? Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Somo crioulo doido e somo bem legal.

Temos cabelo duro é só no black power.

Somo crioulo doido e somo bem legal.

Temos cabelo duro é só no black power.

Que bloco é esse? Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Que bloco é esse? Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Branco, se você soubesse o valor que o preto tem.

Tu tomavas banho de piche, branco e, ficava preto também.

E não te ensino a minha malandragem.

Nem tão pouco minha filosofia, porquê?

Quem dá luz a cego é bengala branca em Santa Luzia.

Meu DeusQue bloco é esse? Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Que bloco é esse? Eu quero saber.

É o mundo negro que viemos mostrar pra você .

Essa história se resolve a bateria e voz

Que bloco é esse? Eu quero saber

É o mundo negro que viemos mostrar pra você.

Que bloco é esse? Eu quero saber?

É o mundo negro que viemos mostrar pra você .